sábado, 23 de junho de 2018

Piúma entre versos e prosas

Piúma entre versos e prosas

A praia que era tão bela

Asfaltaram.

O mar veio e pegou de volta

Mesmo com tanta sequela

O mineiro que vem, não importa.

Cadê o mangue?

A restinga? Foi-se também

A responsabilidade?

 É de “ninguém”

Sem preocupação com a natureza

O lixo na areia da praia

Encobre a sua beleza.

Que saudade da minha infância

Que eu andava na praia sem ânsia

Brincava de bike, de pique,

Andava a pé, nadava no rio,

No mar, a cavalo e no caíque.

 Hoje somente lembranças

Do tempo que eu era criança

É triste ver menino crescer

 Nesse jeito novo de viver

Sem saber o que é caminhar

Até o monte Aghá.

 Senão começarmos a mudança

Vamos ter adultos sem herança

 Com ausência de infância

 Quanta discrepância.

O “turismo” e o “progresso” desenfreados

Destroem o que horas dantes foi sonhado

Geram graves consequências

Padecer por falta de consciência

Fazer o que?

Tanta ignorância, pra que? Por quê?

Sem chance, adeus praia, adeus mangue, haja sofrência, adeus restinga, que míngua!

 Ih! Estamos fritos!

A pé? Nunca mais até a ilha dos cabritos.

Rosilene H. Guilherme 17/06/2018

“Você acha que a gramática tem que apanhar todos os dias para saber quem é que manda?”


 

“Você acha que a gramática tem que apanhar todos os dias para saber quem é que manda?”

Talvez!

Talvez, por ignorância, por displicência, por apatia ao longo de um período da minha existência eu compreendi erroneamente que o correto fosse somente utilizar a gramática ao “pé da letra”, não percebendo que às vezes ela era obsoleta, ultrapassada, e desdenhando o que me era intrínseco passei a não ouvir, a não escutar a minha raiz, a minha “minerês”, fato que me deixou perder por um bom tempo o gume, a sensibilidade, ferindo uma parte da trajetória da minha carreira profissional, por diversas vezes vi-me criticando através de um olhar parvo para quem não obteve o mesmo conhecimento e aprendizagem educacional que eu. Não compreendia apesar de fazer parte do meu dia a dia, o falar diferente, os pecados gramaticais.  Talvez por achar que o aprender e conhecer uma língua com suas características, suas normas, me enriqueceria mais permitindo argumentos por vezes autoritários, fazendo-me proprietária da verdade, tornando-me ditadora da linguagem. O pior que para mim era imperceptível, apesar de não ser uma profissional em português, eu só enxergava a importância de comunicar através da gramática.    

 Nas Minas Gerais, nos bancos das escolas onde estudei, repassaram-me o português com todas as suas regras, a gramática correta, portanto falo “nóis”, mas escrevo, nós. Em casa desde criança o contato com os meus era uma linguagem diferenciada, entre “uais, cê, acódieu, pertin, trem, arréda, blusdifri, bão”¹ eu vivi, eu falava, mas não percebia o quão nossa linguagem era rica, distinta, o “minerês” é um dialeto. Como curiosidade é válido lembrar que existe uma versão que essa nossa oralidade, essa forma de falar do mineiro é do tempo dos inconfidentes para dificultar o entendimento dos espiões que eram contra a inconfidência mineira.     

Lamentavelmente o que percebo é que quanto mais adquirimos conhecimentos mais prepotentes e donos de um ego abastardo nos tornamos, quanto mais sabemos, mais menosprezamos os que acreditamos que menos saibam, os que não tiveram o mesmo patamar educacional tal qual ou maior que o nosso, sentindo-nos proprietários da linguagem, onde o que sei, não cabe mais aprender.

Compreendo que apesar da escola desapropriar-me do uso da linguagem que me pertencia, o estar letrado, o uso da gramatica, não me fez perder a essência que eu tive da comunicação com os meus pares e entes passados, através das músicas, dos sentimentos, das brincadeiras, das falas, das historias contadas muitas vezes ao relento em acampamentos na beira do rio, na fazenda, na beira do fogão a lenha. O legado, os valores deixados pelos meus pais, tios, avós é uma bagagem positiva na minha aprendizagem e na comunicação tendo como relevância o silêncio, o observar, o perceber, o absorver, o inculcar, o questionar e sei que todos esses parâmetros fizeram e fazem parte do meu crescimento enquanto sujeito social. O meu processo de empoderamento acentuou-se mais após ler, escrever e discutir nos encontros presenciais no Polo de Piúma da UAB/UFES, com os conteúdos das disciplinas do curso de Pedagogia, onde passei a compreender a diferença entre ser professor e ser instrutor, fato que me alçou a perceber o quão era importante a absorção, o entendimento de que a gramatica é uma forma de comunicação, não desdenhando sua importância, mas compreendendo que comunicar é variante, a partir desse insight² me remontei. E passei a ouvir mais, a perceber mais, a sensibilizar mais, a incluir mais, a emancipar mais.  

Acredito que a gramática é relevante em momentos oportunos, mas precisa apanhar de vez em quando, para saber que nós a criamos e temos o domínio, o controle, para intervir e interferir quando acharmos que há necessidade de mudanças, por evolução, quando ela tornar-se obsoleta, incomunicável.

¹Uai - Porque, como assim, hein. Cê – Você.  Acódieu - Me socorre. Pertim – pertinho. Trem - qualquer coisa menos o trem de ferro. Arréda - encosta ai , chega para lá por favor. Blusdifri - blusa de frio. Bão - tudo bom.

Insight ² clareza súbita na mente, no intelecto de um indivíduo; iluminação, estalo, luz.

 Rosilene H. Guilherme 23/06/2018

Referências

As referências são os quatro anos de leitura, discussões, aprendizagem do curso de Pedagogia, a minha família, meus pares, meu meio.   
FILHO, J.F.F. Linguagem V Capítulos I, II, III, IV, V, VI - (RE) visita aos conceitos basilares para uma maior compreensão do ensino da linguagem - Dissertação capítulo 6.
VERISSIMO, Luis Fernando. O gigolô das palavras. In: ______. Para gostar de ler; Luis Fernando Verissimo: o nariz e outras crônicas. 10 a. ed. v. 14. São Paulo: Ática, 2002. p. 77 e 78.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Obsolescência programada!!!

Novas tecnologias no cotidiano escolar e o cuidado de não tornar imposição.  
O conceito de obsolescência programada é a decisão do produtor de propositadamente desenvolver, fabricar, distribuir e vender um produto para consumo de forma que se torne obsoleto ou não-funcional especificamente para forçar o consumidor a comprar a nova geração do produto. 
Estamos vivendo em uma era de consumismo exagerado tornando-nos presas fáceis dos empresários predadores que armam emboscadas, estratégias de vendas de tecnologias que por vezes tem um diferencial tão impercebível do tipo 1 para o tipo 2, mas com um marketing célere propositalmente para instigar-nos a malbaratar, provocando-nos a acreditar que o produto que temos em mãos é obsoleto.  
Com a globalização nos tornamos próximos das informações, facilitou-nos o poder de compra, o acesso, fazendo-nos escravos do consumo exacerbado, “gourmetizado”, do ter, uma escravidão moderna, maquiada que nem percebemos, dispomos de tecnologias para tudo, comprar e desfazer do que quiser pela internet, pelos sites de trocas e vendas.   
 Portanto questiono o que essa obsolescência programada pode influenciar negativamente no ambiente escolar? O que nós professores podemos discutir sobre esse assunto em sala de aula? O que podemos construir e problematizar para transpor esse impacto, essa condição de imposição? É possível trabalhar no ambiente escolar sem a inclusão de novas tecnologias? 
A conscientização é o caminho, a obsolescência dos produtos gera mais consumo, automaticamente mais lixo, tornando-nos responsáveis por esse problema social, ambiental e econômico. Podemos trabalhar com as crianças com materiais recicláveis, e fazer com que compreendam e conscientizem seus familiares também, utilizar a tecnologia na escola tem que ser por um viés favorável, que suaviza, temos que incentiva-los ao não consumismo exacerbado, a compreensão dos valores humanos, a compreensão de que a tecnologia não é o único meio de aprendizagem, de satisfação, que existem outras formas, que os valores não são somente o “ter”. Enfim menos robotizados, mais humanizados.   
Referências 
Humberto Gessinger- Engenheiros do Hawaí - 3a do Plural 
SELVA, A.C.V. BORBA, R.E.S.R. O uso da calculadora nos anos iniciais do ensino fundamental. Belo Horizonte: Autêntica, 2010. Por Marco Aurélio Kistemann Jr. 
Por Rosilene H. Guilherme

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Município de Anchieta – ES - Do centro urbano a zona rural, eco sustentabilidade!


      Como falar de ecologia sem conhecer um pouco da história do município de Anchieta:
"Por volta do ano 1000, os índios tapuias que habitavam o sul do Espírito Santo foram expulsos para o interior do continente devido à chegada de povos tupis procedentes da Amazônia.
         No século XVI, quando chegaram os primeiros europeus à região, esta era ocupada pela tribo tupi dos temiminós. A cidade de Anchieta tem sua origem ligada à aldeia jesuítica de Iriritiba, também chamada Reritiba, termo de origem tupi que significa "muitas ostras", "ajuntamento de ostras", pela junção dos termos reri (ostra) e tyba (ajuntamento). A aldeia foi fundada pelo padre José de Anchieta em 1561, como local de catequese dos índios. O padre transferiu-se definitivamente para Reritiba em 1587, onde veio a falecer em 9 de junho de 1597. Nesse período, produziu grande parte de sua obra literária e dramática.
        Com a expulsão da Companhia de Jesus das terras portuguesas em 1759, a aldeia de Reritiba recebeu o foro de vila com o nome de Vila Nova de Benevente. Logo após a partida dos jesuítas, a vila passou por um período de decadência devido à desocupação da região pela maioria dos nativos. Em 12 de agosto de 1887, a vila foi elevada à condição de cidade, recebendo um novo nome: Anchieta, em homenagem ao famoso santo jesuíta que ali viveu e morreu no século XVI.
       A vila tomou novamente impulso em sua economia a partir da chegada, pelo porto de Benevente, de milhares de colonos italianos entre os anos de 1874 e 1895. Da vila, surgiram, também, as atuais cidades de Alfredo Chaves, Piúma e Iconha.
       Foi em Anchieta, em 1968, que o padre Humberto Pietrogrande fundou o Movimento de Educação Promocional do Espírito Santo (MEPES) e a primeira Escola da Família Agrícola no Brasil, que seria precursora de centenas de outras experiências ao redor do mundo. ”(Wikipédia 21/01/2018 05:00hs)
   A preocupação do município de Anchieta com o meio ambiente não se restringe apenas ao litoral, ao centro urbano, mas com todo o seu entorno, toda a zona rural, principalmente com a sua população, onde a inquietação é com a conscientização através de movimentos e facilitadores que gerem atitudes favoráveis de manter a cidade e suas reservas naturais imunes de poluição, de agressões externas, evitando doenças e outras intempéries que são estimuladas pelo crescimento desordenado provocado pela falta de politica de planejamento urbano, onde estimula uma preocupante situação de uso e ocupação do solo em áreas naturalmente de riscos à habitação humana. Áreas que deveriam ser protegidas para evitar erosão, assoreamento, enchentes, inundações, são ocupadas. 
  É imprescindível para evitar a superpopulação nos centros urbanos favorecer a não migração dos sujeitos que moram no campo e é apoiando, fortalecendo e facilitando a vida dos moradores rurais que  o crescimento desregrado e o risco de ocupação das áreas de periculosidade diminuem. 
  Ações e soluções no campo que são efetuadas pelo município de Anchieta na zona rural para evitar a migração desenfreada são: posto de saúde, transportes, as escolas rurais (Escola da família agrícola de Olivânia) e cooperativas que têm como foco manter o sujeito no campo, plantando, produzindo, vendendo seu produto, retirando o seu sustento e o de sua família da sua terra, do seu habitat, enfim proporcionar uma vida no campo de qualidade, com sustentabilidade, autossuficiente que gere recursos sociais e financeiros.
   A cidade possui um rico ecossistema a ser conservado e preservado e é através do projeto IPCMar que as espécies em extinção na praia da Guanabara onde se encontram  as desovas das tartarugas são protegidas, existe uma preocupação e atenção também com as restingas, as praias, os rios Benevente e Salinas, as ruínas, o manguezal, matas ciliares entre outros. 
   É evidente que não podemos negligenciar e não refletir sobre a tragédia provocada pela empresa SAMARCO no município de Mariana em fundão no final do ano de 2015 ocasionando  impactos ambientais às zonas estuarina e marinha da costa capixaba e do sul da Bahia pelos rejeitos de mineração lançados no Rio Doce prejudicando a sustentação da população ribeirinha, das famílias de Anchieta e de outros municípios que sobreviviam do trabalho na empresa, e é nesse momento de crise que precisamos aproveitar a pausa do funcionamento da SAMARCO em Ubú/Anchieta para refletir e buscar novas fontes de renda ecologicamente sustentáveis  para o município através do turismo ecológico e utilização do porto para outras atividades. 

   Eu enquanto professora, compreendo que devemos em sala de aula dialogar, produzir e motivar o respeito e a preservação pelo meio ambiente, é preciso provocar nos alunos o interesse de interagir com o conteúdo, trazer para dentro das salas de aulas temas onde os sujeitos possam compreender a ecologia como parte do seu cotidiano, possibilitando torna-los críticos, reflexivos, através de informações que os aproximem do ecossistema, oportunizando como ensinamento conscientização e ações que visem melhorias na qualidade de vida, eco sustentabilidade e o apreço pelo meio ambiente. Tais ensinamentos devem perpassar os muros da escola conscientizando não só os alunos, mas todos os familiares, toda a comunidade, através de campanhas incessantes referenciando minuciosamente as problemáticas ambientais, informações atreladas a tecnologias, a ética, voltada para a educação ambiental, para a eco sustentabilidade, aproximando o sujeito ao meio onde ele vive, conduzindo-os para a compreensão do respeito pelos seres vivos, pela natureza, enfim compreender que também fazemos parte do meio, e somos responsáveis por ele. A importância do conhecer o meio em que vive vai além de democratizar o acesso a todos, é a compreensão do próprio mundo, é a promoção da cidadania, é o despertar em cada um o interesse de inquirir. Outorgando-lhes a responsabilidade de comprometer com a sociedade atual  favorecendo e minimizando o impacto ambiental para as próximas gerações. 

Rosilene H. Guilherme 23/01/2018
Tags: 
Abertura dos ninhos de tartarugas IPCMar - Praia da Guanabara - Anchieta ES.
Fotos do circuitos eco turismo e eco  sustentabilidade do Município de Anchieta - 
Circuito do Vale Curindiba - Escola Familiar rural de Olivânia - Criação de Tilápias - Entre outros  produtos e empreendimentos rurais. 
Manguezal, rio Benevente, rio Salinas, Ruínas, Circuitos praias, posto abaré, artesanato da região.
Igreja e Museu do Santuário São José de Anchieta, poço do Coimbra, Casarão de quarentena.
Circuito dos Imigrantes , Cachaça Pratinha, Mulheres do Prata, Sorvetes  e picolés Anjo
Circuito Morro do urubú, comunidade, casarão 
 Fotógrafo: Vinícius Fardin Mendonça 
Essas fotos da tag do drive google foram realizadas durante a parte prática do curso que participei de Condutor de Turismo  disponibilizado pela secretária de cultura do Município de Anchieta, no segundo semestre de 2017.
Vídeo da Escola Rural 40 anos


https://drive.google.com/drive/folders/1DwmD5APL7zIXPKKVt6spdac71RNHUTlE

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

A importância da economia solidária para a Educação de Jovens e Adultos.


           A importância da economia solidária para a Educação de Jovens e Adultos. 

          Segundo ECOSOL DF o conceito de economia solidária parte do pressuposto que:             

               “Economia Solidária é um jeito diferente de produzir, vender, comprar e trocar o que é preciso para viver. Sem explorar os outros, sem querer levar vantagem, sem destruir o ambiente. Cooperando, fortalecendo o grupo, cada um pensando no bem de todos e no próprio bem.”
       Compreendo o analfabetismo como a declaração da pobreza, que por consequência condiz com uma sociedade injusta e excludente.  É um dos temas principais discutido na educação no Brasil desde a lei 9394/96 da LDBEN até os primórdios no novo plano nacional da educação.
     Erradicar o analfabetismo é a palavra que atrela a educação ao desenvolvimento nacional, porém na prática está longe de acontecer, a gestão publica da educação tem inegavelmente frestas que não são fáceis de serem vedadas e obter uma escola publica com qualidade buscando a emancipação dos alunos, tornando-os críticos e construtores de sua própria história, que propague a participação e compromisso de todos ao invés de negligenciar o direito de liberdade, de autonomia, é uma luta constante.
       É inegável que um dos recursos mais viáveis para extirpar as frestas da EJA seja a economia solidária que é favorável à inclusão social e vem crescendo gradativamente na Europa, no Brasil e em outros países segundo a ECOSOL DF é a solução para erradicar a má distribuição de rendas e desenvolver o crescimento da autogestão.
       É uma forma cooperativista, coletiva que dentro da EJA o bem maior são os jovens e adultos de nosso país, marcados por estigma de “analfabetos”. Que oportuniza através do meio e da história de cada um facilitadores que contribuem para o desenvolvimento da autoestima, por consequência indefere a exclusão social, reduzindo a marginalização e o preconceito, outorgando-lhes a emancipação e autonomia, autores de sua própria história, interagindo com o mundo a sua volta, gerando recolocação no mercado de trabalho por intermédio da alfabetização, do ensino e aprendizagem, de uma ação pedagógica efetiva e permanente.
“Ressaltamos neste trabalho a importância da ação pedagógica da Educação Popular em dialogo com a Economia Solidária frente à exclusão social e histórica daqueles que declaram não saber ler e escrever, que vivenciam o “estereotipo de analfabeto” marcados por desigualdade social e regional, de classe, raça, gênero, geração entre outras. Mulheres e homens trabalhadores, marcados pela exclusão no processo de escolarização, que vivenciaram o baixo rendimento, o fracasso escolar e a reprovação – os excluídos da escola também compõem o quadro do analfabetismo neste país. O texto também fala que é possível lutar pelo direito coletivo de mulheres e homens terem acesso ao universo grafocêntrico através da alfabetização. E que esta, ao dialogar com os princípios da Economia Solidária, retoma a bandeira de transformação social, libertação e emancipação dos jovens e adultos populares.” (RODRIGUES EF, CAP1).
       Segundo Rodrigues, Paulo Freire foi pioneiro no Brasil na defesa da autonomia e emancipação dos sujeitos, na articulação da luta pela igualdade através dos movimentos sociais, na superação da realidade existente entre oprimido e opressores. Foi precursor na educação de jovens e adultos com métodos diferenciados de alfabetização.
         Infelizmente sofremos da “aculturação” egoísta nas nossas relações humanas onde não estimulamos a solidariedade e o coletivismo. E essa falta literalmente de comprometimento com a inclusão, com não ao preconceito, não a marginalização, é preciso ser de fato todos os dias granjeado por nós.  . 

       Referências
       Vídeo aulas da Professora Rosemeire dos Santos Brito
      EJA e Economia Solidária: um diálogo entre os princípios da ECOSOL e a prática da Educação Popular Autora: Estela Fidelis Rodrigues
Documento Nacional Preparatório a VI Conferência Internacional de Educação de Adultos VI CONFINTEA
     http://www.espacoeducar.net/2011/06/o-desafio-educacao-de-jovens-e-adultos.html
         Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 

        O desafio da EJA nos dias atuais



Publicado em 27/09/2017
Autor: Rosilene H. Guilherme

Educação popular e movimentos sociais para a educação de jovens e adultos.



             Educação popular e movimentos sociais para a educação de jovens e adultos.
          A educação no Brasil após o século XX deu uma alavancada principalmente nos últimos 10 anos, mas infelizmente está longe de ser um modelo no processo de alfabetização dos jovens e adultos, o numero de analfabeto funcional é assustador, segundo Yamamoto:
 “... no Brasil apenas 8% das pessoas tem plena condição de compreender e se expressar por meio de letras e números, ou seja, oito a cada grupo de cem indivíduos da população.”
        Apesar da facilidade de hoje em dia e o contexto de “todos” terem acesso à escola, a qualidade do ensino e aprendizagem deixa muito a desejar e um dos fatores que contribui negativamente principalmente na educação de jovens e adultos é a falta de motivação que os sujeitos têm ao retornar á escola e retomar os estudos que foram interrompidos, professores distantes e cansados pelas jornadas em mais de um turno, alunos que trabalham fora, má alimentação, entre outros, o acesso e as condições para a frequência escolar nem sempre colaboram favoravelmente.
       A lei da LDB 9394/1996 inciso VII garante aos alunos do EJA o direito a ter acesso ao ensino e aprendizagem condizente com as necessidades dos alunos e situações favoráveis para a permanência e o ir e vir até a escola:
“VII- oferta de educação escolar regular para jovens e adultos, com características e modalidades adequadas às suas necessidades e disponibilidades, garantindo-se aos que forem trabalhadores as condições de acesso e permanência na escola;”
     Os discursos são profusos, porem o que vemos e vivemos dentro dos muros das escolas são caminhos que seguem por um viés prolixo e paliativo para mascarar “crises econômicas”, não é incisivo e eficaz, professores despreparados, alunos desmotivados, fatores estes que desnudam e incidem de forma negativa na educação e formação do EJA.
“As reformas e propostas para a educação brasileira, durante o século XX, foram, em sua maioria, implementadas como paliativos de crises econômicas, de redefinição dos modelos de acumulação vigente e de constituição de novos atores sociais como sujeitos da cena política nacional.” (GONH MDG,2011)
        Não tem como dissociar os movimentos sociais da educação popular de jovens, educar é politizar, é conscientizar, é compreender as necessidades, é praticar a cidadania, é pensar na educação para todos, e essa fusão de informações e fatos do contexto social dos sujeitos é que aprimora o conhecimento e gera inculcações e conclusões que resultam na emancipação social e cultural de cada um.  Toda pratica educativa deveria ser focada na realidade vivida pelo sujeito, possibilitando-lhe: criar, recriar, quebrar paradigmas, produzir, reinventar a partir do seu meio, da sua história, da sua vivência. 
     Compreendo que para haver melhorias é preciso mais confrontos, diálogos pertinentes e incisivos, através do meio acadêmico, políticos, alunos, a comunidade, enfim, a reparação da educação com qualidade focada na emancipação dos jovens e adultos e que ao longo dos tempos deixaram frestas solidificadas pelas forças das desigualdades sócio econômicas. É preciso sanar, extirpar utilizando-se de recursos financeiros, de novas propostas, de movimentos e ações práticas visionadas através da interação de grupos focados na educação da EJA e atreladas à visão e competências que almejem por um futuro com mais possibilidades, com autonomia, emancipação do sujeito de forma mais harmoniosa.
                                                                                      
                                        
                                                                                   Paulo Freire

           Referências
 http://pedagogiaeaduniciditaim.blogspot.com.br/2011/04/educacao-e-movimentos-sociais.html acesso em 31/08/2017 2:52hs
    Documentário Paulo Freire Contemporâneo https://www.youtube.com/watch?v=5y9KMq6G8l8
        Documento Nacional Preparatório à VI Conferência Internacional de Educação de Adultos VI CONFINTEA
        http://www.espacoeducar.net/2011/06/o-desafio-educacao-de-jovens-e-adultos.html
 O desafio da EJA nos dias atuais

            http://www.cp2.g12.br/alunos/leis/lei_diretrizes_bases.htm 07/09/2017 23:00hs

Publicado em 27/09/2017
Autor: Rosilene H. Guilherme

O EJA No Brasil atual

               

               A necessidade de extirpar o analfabetismo no Brasil é o que vem sendo discutido na educação desde a lei 9394/96 da LDBEN até os primórdios no novo plano nacional da educação, erradicar o analfabetismo é a palavra que atrela a educação ao desenvolvimento nacional, porém na prática está longe de se acontecer, a gestão publica da educação tem inegavelmente frestas que não são fáceis de serem vedadas.
            Inúmeras fontes nos permeiam com dados sobre a educação de jovens e adultos mostrando-nos apesar da preocupação e atenção sobre o assunto contradizem com os números conforme aponta a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) que em 2009 ainda havia 14,1 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais no país, o que correspondia a 9,7% da população nesta faixa etária. Mostram que entre 2004 e 2009 a taxa de analfabetismo caiu 1,8 pontos percentuais.
 “O país, no período pós-LDBEN, apresentou também avanços significativos em alguns indicadores educacionais, entretanto, chega ao século XXI ainda com importantes déficits a serem superados. Em 2006, apesar do índice de analfabetismo ter baixado 3,8% pontos percentuais em relação a 1996, o IBGE registrou a cifra de 14,4 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais no país. Ainda que os dados mostrem que houve redução das taxas de analfabetismo em todas as regiões do país, persiste, contudo, grande variação entre elas: o Nordeste, em pior situação, com uma taxa de 20,7% em 2006; seguido pelo Norte (11,3%); Centro-Oeste (8,3%); Sudeste (6,0%) e Sul (5,7%). Em termos absolutos, a região Nordeste tem o maior número de analfabetos, chegando a 2006 com 7,6 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais, seguida pelo Sudeste (3,7 milhões), Sul (1,2 milhão), Norte (1,1 milhão) e Centro-Oeste (0,8 milhão).” “Documento Nacional Preparatório à VI Conferência Internacional de Educação de Adultos VI CONFINTEA, p14 e p15).
Os dados nos faz repensar sobre quais são de fatos os números de alunos EJA que buscam, aprendem e concluem o ensino fundamental? Além do atendimento não chegar a quem de fato necessita o maior agravante é a queda de matrículas efetuadas nessa modalidade. Por isso a necessidade de assegurar tempo e espaços flexíveis, eu acredito no EAD seria uma forma de alfabetizar e manter o ensino EJA, onde os alunos possam vir a ser editores da sua própria história, dentro do seu próprio contexto.
Porque as matriculas estão caindo, será que a demanda está indo de encontro às necessidades desses alunos? Quais são as razões?
    

Compreendo que ler e escrever são dificultosos, complicados, a aprendizagem envolve vários fatores é importante aproximar o conteúdo ao contexto dos alunos EJA, para tornar a aula instigante e necessária para o sujeito é preciso diferenciar a alfabetização dos alunos EJA pelo ensino efetuado para as crianças, a compreensão tem que ser estimulada, focada e articulada estrategicamente para jovens e adultos.    
Segundo o Documento Nacional Preparatório a VI Conferência Internacional de Educação de Adultos VI CONFINTEA
“Tempos e espaços na organização da EJA são fundamentais para possibilitar que aprendizados escolares se façam. Para além dos instituídos, cabe instituir tempos e espaços outros, de forma a atender a diversidade de modos pelos quais jovens e adultos podem estar na escola, sem acelerar/aligeirar processos de aprendizagem dos educandos, mas ampliando e socializando saberes. São as necessidades da vida, desejos a realizar, metas a cumprir que ditam as disposições desses sujeitos e, por isso, a importância de organizar e assegurar tempos e espaços flexíveis, em todos os segmentos, garantindo o direito à educação e aprendizagens ao longo da vida. As políticas de EJA, dentre essas as de alfabetização, vêm disputando concepções sobre o que é alfabetizar e garantir o direito à educação para jovens e adultos. A perspectiva é de formar leitores e escritores autônomos, que dominem o código lingüístico, mas que também sejam capazes de atribuir sentidos e recriar histórias; de compreender criticamente sua realidade intervindo para transformar (a práxis), pela escrita, sem prejuízo de outras formas de expressão como imagens, o que vai além do que tem sido observado em muitas práticas de alfabetização na EJA. O mundo contemporâneo exige o leitor de diversos códigos, do múltiplo, do diverso, perspicaz na interpretação e com capacidade de atribuir sentidos com toda a liberdade, para além da oralidade, campo em que sujeitos jovens e adultos têm domínio.”
       
      

Acredito que o currículo EJA tem que ser estimulador e assim aproximar cada vez mais o sujeito de seu meio, do seu contexto, do seu dia a dia, é preciso dialogar com a sociedade, com os professores reescrever os projetos políticos pedagógicos para que possam sair do papel e que os jovens tenham consciência de que ir a escola é muito mais que um diploma, que criem de fato ansejos e almejem aprender, aprimorar seus conhecimentos, é preciso trabalhar sobre a ótica da diversidade.

  É preciso oportunizar situações que sejam facilitadoras para manterem os alunos EJA nas escolas, como transportes, alimentação, entre outros fatores que provocam o afastamento dos alunos das salas de aulas.
“Reconhecer a intersetorialidade da EJA e potencializá-la implica múltiplos desafios e requer parcerias e envolvimento no processo educativo, com a integração de todas as esferas governamentais (federal, estadual, municipal e distrital) e da sociedade civil, relacionadas com o campo do trabalho, da saúde, do meio ambiente, da segurança pública, da assistência social, das culturas da comunicação, entre outras.” Documento Nacional Preparatório à VI Conferência Internacional de Educação de Adultos VI CONFINTEA
Referências                                                                          
Documento Nacional Preparatório à VI Conferência Internacional de Educação de Adultos VI CONFINTEA
http://www.espacoeducar.net/2011/06/o-desafio-educacao-de-jovens-e-adultos.html
 Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 

O desafio da EJA nos dias atuais



Publicado em 27/09/2017
Autor: Rosilene H. Guilherme